domingo, 9 de novembro de 2008

De pequenino é que se torce o pepino...

«Portugal é um dos 23 países do Mundo onde os castigos corporais em crianças são proibidos por lei. A legislação portuguesa foi alterada em 2007, mas poucos pais a conhecem.»




A palmadinha no rabo ou a bofetada correctiva são vistas pela maioria dos pais portugueses como um meio tão inofensivo quanto eficaz de educar a criança para o reconhecimento do erro. "Uma tareia em tempo certo nunca fez mal a ninguém!" - diz quem já a deu e a levou. Não menos popular é o ditado "De pequenino se torce o pepino", interpretado demasiado à letra pela maioria dos pais. À face da lei, no entanto, todas as formas de castigo físico são consideradas crime e punidas com penas que vão de um a cinco anos de prisão! A propósito deste tema, vê o vídeo da RTP intitulado "Lei penaliza castigos":




A legislação britânica não difere muito da portuguesa, ainda que o comportamento dos pais, esse sim, seja distinto e mais conforme ao que o direito prevê... No entanto, são cada vez mais as famílias inglesas que recorrem à ajuda exterior de profissionais e organismos públicos ou privados para lidar com questões comportamentais e educacionais. A própria televisão já dispensa os seus serviços ao domicílio: programas como "Supernanny" são sucessos de audiência, talvez a provar que cada vez mais famílias se debatem com problemas graves no que toca à educação das crianças e adolescentes, sentindo-se incapazes de, sozinhas, fazer face a este grande desafio. Vê agora o excerto de um dos episódios deste reality-show, antes de exprimires a tua opinião sobre o tema.





Apresenta o teu ponto de vista sobre as diversas formas ou técnicas usadas para disciplinar as crianças a que se faz referência em ambos os vídeos. Não te esqueças de falar na tua experiência pessoal e, se possível, convida os teus pais a entrar na discussão. Para tal, usa a sala de chat:






Create a Meebo Chat Room

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Não é pior a emenda que o soneto!

Aparentemente esquecidas, algumas datas importantes do calendário português não tiveram direito a registo no blog. Imperdoável (!)... mas não incorrigível. Assim, para relembrar o dia de Portugal, das Comunidades e de Camões, exactamente um mês após a comemoração da data (10 de Junho), nada melhor do que recordar um dos mais célebres sonetos deste grande poeta do século XVI, aqui com sotaque e aroma tropical... Neste caso, podemos mesmo dizer que tão válida é a emenda como belo o soneto!



Proposta de trabalho para as férias de Verão:

À medida que ouves o spot publicitário, escreve o poema e agrupa os versos em duas quadras (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofes de três versos). Aí tens a definição de soneto! Para verificares se realizaste correctamente a actividade - e sem erros ortográficos! - compara a tua versão com a original, que encontrarás disponível na internet. Depois, é só memorizar o mais célebre poema em Português sobre as contradições do amor! Nunca se sabe quando não dará jeito tê-lo mesmo ali, na ponta da língua!


Então, até para o ano! Descansem muito sob o sol - se é que estão cansados, depois de um ano inteiro a dormir à sombra da bananeira!...

sábado, 5 de julho de 2008

2008 + 1001 coisas para contar

Há que dar voz novamente ao nosso blog, que nos últimos meses tem estado à margem de tudo o que fomos fazendo para trazer Portugal às escolas deste remoto condado. É verdade que de Janeiro a Julho «muita água correu debaixo da ponte» - como diz o povo -, mas muitas mais coisas (de)correram debaixo do olho atento da professora! De todas elas, duas ou três merecem especial destaque...



Março, mês do multiculturalismo no Reino Unido, celebrado em Gleed Campus (Spalding)



Confecção (e prova, pois claro!) de receitas tradicionais, exposição de trabalhos sobre a cultura lusófona, projecção de slides, caça ao tesouro, sessão de cinema e jogos ao som de música portuguesa são apenas exemplos das diversas actividades que preparámos para um dia totalmente dedicado à Língua Portuguesa em Gleed Boys' School. E a festa terminou em grande com o concurso "Quem quer ser milionário": um grupo de professores corajosos foi colocado à prova perante uma plateia entusiasta de alunos de todas as nacionalidades. Nem mesmo a imprensa ficou de fora: dois jornais locais encarregaram-se de noticiar o que todos fizemos para partilhar com a comunidade a nossa língua e cultura, assim como para promover o são convívio entre alunos de diferentes proveniências, numa escola verdadeiramente multicultural!
As fotos escolhidas mostram dois dos momentos altos do dia...



Mauro, com dois alunos de iniciação ao Português, Michael e Ryan, a prepararem fatias douradas.

(Misteriosamente, metade delas nunca chegou à mesa e não se pôde até hoje apurar onde se perderam!)


O bolo parece pequeno de mais para tanta gente... e gulodice!


O concurso "Quem quer ser milionário".

«Os prémios são esses ovos de chocolate gigantes que estão aí atrás?... » - interrogam-se dois ou três mais distraídos.



Mrs. Macleod, a cordenadora do departamento de EAL e apresentadora do concurso, já vai falando Português - e com pronúncia de Cascais!



Sonho de uma noite de Verão: a adaptação da obra de Shakespeare pela escritora Hélia Correia dá origem a um workshop de teatro em duas escolas de Lincolnshire.


Não são fadas nem duendes, mas voaram de Portugal para dinamizar uma oficina de expressão dramática em Haven High Technology College (Boston) e Gleed Boys' School (Spalding), a convite da Coordenação do Ensino Português no Reino Unido. Carlos Jesus e Mariana Montalvão, professores de Língua Portuguesa, investigadores, e actores-encenadores do grupo de teatro 'Thíasos' (Universidade de Coimbra) trouxeram mais cedo o Verão com muitas actividades divertidas - mas educativas, também - e conquistaram novo público para as aulas de Português! A cena ensaiada foi a morte de Píramo e Tisbe, tal como a representa o grupo de desajeitados artesãos da peça de Shakespeare, que a escritora portuguesa Hélia Correia adaptou para os mais novos. E houve momentos para todos os gostos, já que o programa incluía exercícios de voz e de dança, concentração e interacção, e ainda jogos de expressão facial e corporal. Os fatos, adereços e máscaras vieram colorir o espectáculo final, onde descobrimos verdadeiros talentos! Ficam as fotos a confirmá-lo - e a aguardar comentários:







Haven High, 17 de Junho de 2008





Spalding, 18 de Junho de 2008



Agora, com exames terminados e o sol a aparecer mais confiante, resta-me desejar a todos Boas Férias!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Campeonato da Língua Portuguesa 2008


Informam-se todos linguarudos (espécie abundante por essas escolas de Lincolnshire) e demais interessados (classe esta em extinção) que está bem prestes a inaugurar a quarta edição do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa 2008, de novo uma iniciativa conjunta do semanário Expresso, Jornal de Letras, Sic e Sic Notícias. O tiro de partida é dado daqui a escassas horas, mais precisamente às 00:00 do dia 26 de Janeiro, no site http://www.linguaportuguesa.aeiou.pt/. O objectivo é o de sempre: espicaçar a mente de Portugueses e Portuguesinhos com os constantes desafios que a língua lhe coloca e assim celebrar o idioma sobre o qual escreveu o poeta Rodrigues Lobo:


«A nossa língua é branda para deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar, breve para resolver e acomodada às matérias mais importantes da prática e escritura.»
(Corte na Aldeia, algures numa página que desconheço)


A continuação deste texto magnífico (e não vamos discutir esta minha opinião!) ficará para um próximo capítulo, porque agora há que ler o regulamento, fazer o registo online e afiar a Língua e as ideias...
As dúvidas podem esclarecê-las com a professora, embora melhor do que recorrer a santos será apelar directamente a Deus: dicionários e gramáticas de Português - entenda-se. Têm também à disposição os linguistas de serviço no consultório de Língua Portuguesa do jornal Público, no endereço que encontram neste mesmo blog (secção: ferramentas e instrumentos de trabalho).


Bom fim-de-semana e ... mãos à obra!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É Natal, é Natal!

Férias... Só por si justificariam o entusiasmo dos últimos dias. Mas a alegria, nesta altura do ano, tem outro motivo: é Natal! Sim, porque o Natal vive-se mais até nos dias anteriores, dias de preparativos e planos, dias de expectativa... E, apesar de regressar todos os anos, com os mesmos rituais, as mesmas cores, as mesmas imagens, recebemo-lo sempre como se fosse momento único e irrepetível...


Este ano, fui presenteada com um pedacinho desta alegria festiva. Veio bem embrulhada entre laços e palavras, era doce como os bombons que todos provámos e saltava cintilante de dentro dos postais...





Agradeço os presentes, as palavras ditas e escritas, mas principalmente o que tudo isto representa. Aproveito, finalmente, este espaço para retribuir a todos, alunos e colegas, os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Alessandra

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Poemas que falam por nós


Há pelo menos mil e uma razões para se gostar de um poema. Melhor: largos milhares - para evitar coincidências pouco dignificantes com o número de maneiras de cozinhar bacalhau e porque milhões seria talvez um leve exagero... Uma delas poderá ser aquela impressão que por vezes nos deixa de que somos autores (co-autores, vá) de palavras que não escrevemos nem seríamos capazes de escrever...
Quando hoje casualmente tropecei no poema de Carlos Drummond de Andrade que abaixo transcrevo, tive a sensação de que o meu pensamento só mudou de sotaque…


Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Drummond de Andrade

Hoje, o poema é meu, ou antes, “meu”… Espero que as próximas selecções poéticas sejam vossas… Que acham da ideia de organizarmos uma antologia com os nossos poemas preferidos?

sábado, 8 de dezembro de 2007

O preço das palavras

Se há coisa que não percebo - e que, como tudo o que não percebo, me irrita solenemente - é essa mania (pelo menos tão antiga como eu) de comprar e vender palavras. É, de facto, difícil de aceitar que umas rodem sem parar na boca de todos até se lhes desbotar o sentido e outras nunca cheguem sequer a ganhá-lo, fechadas a sete chaves entre as capas duras do dicionário... E tudo porque algum capitalista sem escrúpulos se lembrou um dia de lhes pôr um preço - e um preço alto!... Ora toda a gente sabe que as palavras não têm preço. «São um bem inestimável» - diria, certamente, um desses magnatas letrados que têm os cofres cheios de palavras tão caras e valiosas que já até adquiriram o estatuto de "vocábulos". E é daí que nascem todas as confusões: bem ao contrário do que acontece com carros, casas e jóias, as mais baratas vêm a ser as mais caras (se não a todos, pelo menos à maioria), e as mais caras as menos apreciadas, com tudo o que há de contraditório e inexplicável nesta (i)lógica. Mas os problemas não se ficam por aqui: se antigamente (na época em que se estudava gramática na escola) as diferenças de classe opunham substantivos a verbos numa disputa interminável pela supremacia, agora a questão é bem outra... O "vocabulário", do alto da sua arrogância engravatada, faz-se caro e difícil e recusa misturar-se com o "palavreado" vulgar que sai da mais comum das bocas... E o palavreado, por sua vez, vai alardeando a sua popularidade, indiferente aos que o acusam de ser pobre e calão... É bem provável que já alguém se tenha lembrado de criar o Partido Social da Palavra para combater os elitismos e a pobreza vocabular ou para lutar pela igualdade dos termos, mas mais certo ainda é que a cínica da demagogia, ovelha negra do redil das palavras políticas, tenha conseguido deitar por terra este sonho democrático...

No fundo, é este o estado actual das coisas e cá me parece que vai continuar a sê-lo até ao dia em que as palavras, como os sorrisos e os assobios, os acenos e as carícias, tudo, enfim, que com significado nos sai da boca e das mãos volte a não ter preço...
Alessandra



Dedico este texto aos alunos que passam as aulas a rotular as pobres palavras de «caras» e aproveito para propor os seguintes exercícios vocabulares àqueles que, em Spalding e Boston, se encontram em preparação para o exame AS:

1. Retira do texto palavras ou expressões equivalentes às abaixo transcritas (desta vez, mas só desta vez, podes usar o dicionário):

a) seriamente, gravemente;

b)desvanecer, descorar;

c) com falta de sentido ou preocupação moral;

d) sem fim;

e) poder ou autoridade máxima;

f) sentimento de orgulho ou vaidade que se exprime por uma atitude de desprezo;

g) gabando-se;

h) estábulo;

i) arruinar, estragar.

2. Encontra no texto um sinónimo de 'magnata'.

3. Explica por palavras tuas o sentido dos vocábulos:

a) elitismo;

b) cínico.

4. Faz corresponder as palavras 'democracia' e 'demagogia' ao seu significado:

a) sistema político em que o poder é exercido directa ou indirectamente pelo conjunto dos cidadãos;

b) simpatia pelo povo;

c) submissão da actuação política ao agrado das massas, com o objectivo de conquistar o seu apoio.


As respostas devem ser escritas numa folha à parte e entregues até ao final do período.

Bom trabalho!