sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Campeonato da Língua Portuguesa 2008


Informam-se todos linguarudos (espécie abundante por essas escolas de Lincolnshire) e demais interessados (classe esta em extinção) que está bem prestes a inaugurar a quarta edição do Campeonato Nacional da Língua Portuguesa 2008, de novo uma iniciativa conjunta do semanário Expresso, Jornal de Letras, Sic e Sic Notícias. O tiro de partida é dado daqui a escassas horas, mais precisamente às 00:00 do dia 26 de Janeiro, no site http://www.linguaportuguesa.aeiou.pt/. O objectivo é o de sempre: espicaçar a mente de Portugueses e Portuguesinhos com os constantes desafios que a língua lhe coloca e assim celebrar o idioma sobre o qual escreveu o poeta Rodrigues Lobo:


«A nossa língua é branda para deleitar, grave para engrandecer, eficaz para mover, doce para pronunciar, breve para resolver e acomodada às matérias mais importantes da prática e escritura.»
(Corte na Aldeia, algures numa página que desconheço)


A continuação deste texto magnífico (e não vamos discutir esta minha opinião!) ficará para um próximo capítulo, porque agora há que ler o regulamento, fazer o registo online e afiar a Língua e as ideias...
As dúvidas podem esclarecê-las com a professora, embora melhor do que recorrer a santos será apelar directamente a Deus: dicionários e gramáticas de Português - entenda-se. Têm também à disposição os linguistas de serviço no consultório de Língua Portuguesa do jornal Público, no endereço que encontram neste mesmo blog (secção: ferramentas e instrumentos de trabalho).


Bom fim-de-semana e ... mãos à obra!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

É Natal, é Natal!

Férias... Só por si justificariam o entusiasmo dos últimos dias. Mas a alegria, nesta altura do ano, tem outro motivo: é Natal! Sim, porque o Natal vive-se mais até nos dias anteriores, dias de preparativos e planos, dias de expectativa... E, apesar de regressar todos os anos, com os mesmos rituais, as mesmas cores, as mesmas imagens, recebemo-lo sempre como se fosse momento único e irrepetível...


Este ano, fui presenteada com um pedacinho desta alegria festiva. Veio bem embrulhada entre laços e palavras, era doce como os bombons que todos provámos e saltava cintilante de dentro dos postais...





Agradeço os presentes, as palavras ditas e escritas, mas principalmente o que tudo isto representa. Aproveito, finalmente, este espaço para retribuir a todos, alunos e colegas, os votos de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.
Alessandra

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Poemas que falam por nós


Há pelo menos mil e uma razões para se gostar de um poema. Melhor: largos milhares - para evitar coincidências pouco dignificantes com o número de maneiras de cozinhar bacalhau e porque milhões seria talvez um leve exagero... Uma delas poderá ser aquela impressão que por vezes nos deixa de que somos autores (co-autores, vá) de palavras que não escrevemos nem seríamos capazes de escrever...
Quando hoje casualmente tropecei no poema de Carlos Drummond de Andrade que abaixo transcrevo, tive a sensação de que o meu pensamento só mudou de sotaque…


Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Drummond de Andrade

Hoje, o poema é meu, ou antes, “meu”… Espero que as próximas selecções poéticas sejam vossas… Que acham da ideia de organizarmos uma antologia com os nossos poemas preferidos?

sábado, 8 de dezembro de 2007

O preço das palavras

Se há coisa que não percebo - e que, como tudo o que não percebo, me irrita solenemente - é essa mania (pelo menos tão antiga como eu) de comprar e vender palavras. É, de facto, difícil de aceitar que umas rodem sem parar na boca de todos até se lhes desbotar o sentido e outras nunca cheguem sequer a ganhá-lo, fechadas a sete chaves entre as capas duras do dicionário... E tudo porque algum capitalista sem escrúpulos se lembrou um dia de lhes pôr um preço - e um preço alto!... Ora toda a gente sabe que as palavras não têm preço. «São um bem inestimável» - diria, certamente, um desses magnatas letrados que têm os cofres cheios de palavras tão caras e valiosas que já até adquiriram o estatuto de "vocábulos". E é daí que nascem todas as confusões: bem ao contrário do que acontece com carros, casas e jóias, as mais baratas vêm a ser as mais caras (se não a todos, pelo menos à maioria), e as mais caras as menos apreciadas, com tudo o que há de contraditório e inexplicável nesta (i)lógica. Mas os problemas não se ficam por aqui: se antigamente (na época em que se estudava gramática na escola) as diferenças de classe opunham substantivos a verbos numa disputa interminável pela supremacia, agora a questão é bem outra... O "vocabulário", do alto da sua arrogância engravatada, faz-se caro e difícil e recusa misturar-se com o "palavreado" vulgar que sai da mais comum das bocas... E o palavreado, por sua vez, vai alardeando a sua popularidade, indiferente aos que o acusam de ser pobre e calão... É bem provável que já alguém se tenha lembrado de criar o Partido Social da Palavra para combater os elitismos e a pobreza vocabular ou para lutar pela igualdade dos termos, mas mais certo ainda é que a cínica da demagogia, ovelha negra do redil das palavras políticas, tenha conseguido deitar por terra este sonho democrático...

No fundo, é este o estado actual das coisas e cá me parece que vai continuar a sê-lo até ao dia em que as palavras, como os sorrisos e os assobios, os acenos e as carícias, tudo, enfim, que com significado nos sai da boca e das mãos volte a não ter preço...
Alessandra



Dedico este texto aos alunos que passam as aulas a rotular as pobres palavras de «caras» e aproveito para propor os seguintes exercícios vocabulares àqueles que, em Spalding e Boston, se encontram em preparação para o exame AS:

1. Retira do texto palavras ou expressões equivalentes às abaixo transcritas (desta vez, mas só desta vez, podes usar o dicionário):

a) seriamente, gravemente;

b)desvanecer, descorar;

c) com falta de sentido ou preocupação moral;

d) sem fim;

e) poder ou autoridade máxima;

f) sentimento de orgulho ou vaidade que se exprime por uma atitude de desprezo;

g) gabando-se;

h) estábulo;

i) arruinar, estragar.

2. Encontra no texto um sinónimo de 'magnata'.

3. Explica por palavras tuas o sentido dos vocábulos:

a) elitismo;

b) cínico.

4. Faz corresponder as palavras 'democracia' e 'demagogia' ao seu significado:

a) sistema político em que o poder é exercido directa ou indirectamente pelo conjunto dos cidadãos;

b) simpatia pelo povo;

c) submissão da actuação política ao agrado das massas, com o objectivo de conquistar o seu apoio.


As respostas devem ser escritas numa folha à parte e entregues até ao final do período.

Bom trabalho!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Estreias e reestreias

Verdade: temos estado caladinhos, à espera de que alguma novidade bem estaladiça possa reinaugurar o nosso blog em grande... O certo é que o primeiro período está a correr a toda a velocidade para o Natal e nada nos tem parecido verdadeiramente importante para ser relatado... Nada até agora, pelo menos...
Sim, porque dentro de muito pouco tempo o primeiro (o primeiríssimo) Grupo Teatral Português em Boston vai começar a reunir-se no Drama Studio, em Haven High Technology College. Entretanto, vamos ajudar a divulgá-lo! As inscrições estão abertas a estudantes de todas as nacionalidades.


domingo, 8 de julho de 2007

Portugal maravilhoso

Foram ontem, dia 7/07/07, eleitas as sete maravilhas de Portugal e do Mundo numa cerimónia realizada no Estádio da Luz, em Lisboa, que contou com a presença de várias personalidades internacionais do cinema, do desporto e da música, como Ben Kingsley e Hillary Swank, Scolari e Cristiano Ronaldo, Jennifer López, José Carreras, Mariza e Rui Veloso.


Os monumentos portugueses mais votados pelo público foram os mosteiros de Alcobaça, Batalha e Jerónimos, o Palácio da Pena, a Torre de Belém e os castelos de Óbidos e Guimarães. Aqui encontramos, portanto, sete sugestões para as férias de Verão e um pretexto para anunciar os vencedores do nosso concurso escolar intitulado «Portugal: amor à primeira vista» (ver post do dia 16 de Maio), o Humberto Correia, 12 anos, e a Cátia do Rosário, 15, que, num dia de sol e boa disposição, criaram um cartaz turístico bem atraente e convidativo:





Abra a PORTA à beleza do PORTO.


Espero continuar a contar com a vossa criatividade para futuros trabalhos!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Escola, saúde e novas tecnologias




Ninguém contesta o enorme contributo que as novas tecnologias podem dar ao ensino. Neste caso, acrescenta-se-lhes ainda o mérito de terem encurtado a distância entre Portugal e Inglaterra, colocando frente a frente três médicos de Coimbra e alguns alunos de St. Bede's College e Haven High, em Boston. O relato das vídeo-conferências é feito através dos seus olhos e nas suas próprias palavras...




No ensaio, disputando o microfone...


10 de Março, a primeira vídeo-conferência


«No Sábado passado, eu e a minha amigas, Cátia e Juliana, fomos à escola, mas desta vez não para uma “detention”. Iríamos assistir a uma vídeo-conferência sobre anorexia e bulimia organizada pela professora de Português. Quando chegámos, fomos recebidas pelo Flávio e pelo Rafael, que nos abriram a porta principal.



Preparados para começar...

A conferência estava marcada para as 10h30, mas tivemos que aguardar cerca de vinte minutos, devido a problemas técnicos. (…) O primeiro assunto abordado foi a anorexia. A Dra. Daniela Oliveira falou dos seus sintomas e consequências e apresentou imagens de raparigas anorécticas – chocante! A Cátia estava muito atenta ao que os médicos diziam e, sempre que algum de nós fazia um comentário, mandava-o imediatamente calar-se. No entanto, o que sobretudo a interessou foi o tema da bulimia, que se seguiu. (…)





Compenetrados. Não podíamos perder pitada!


Depois da apresentação, foi altura de colocarmos as questões à médica e esclarecermos algumas dúvidas. Como a Juliana é muito tímida, fomos nós que falámos em sua vez à médica, explicando-lhes os seus hábitos alimentares. Estivemos horas e horas a falar e, como havíamos perdido a noção do tempo, o Mr. Gates, o Director, teve que vir chamar-nos. Afinal, estavam já todos à espera que terminasse a vídeo-conferência para podermos ir enfim…comer!»

Cátia Couto, 15 anos e Sara Rocha, 11 anos (St. Bede's Catholic Science College)


16 de Junho: a segunda conferência online



«Chegámos por volta das dez e meia e encontrámo-nos com o professor Amaral, o Iuri, que vinha com a mãe, e a professora de Português. Só depois reparei na Mrs. Grant. Havia dois computadores na sala, mas a ligação a Portugal estava novamente com problemas. (…)


Desta vez, até tivemos direito a bolchinhas de chocolate!

Começámos a conferência e, passados vinte minutos, a Nadine, aluna do Haven High, chegou. A primeira apresentação, feita pelo Dr. César Santos, foi sobre a puberdade, o início da actividade sexual e os métodos anticoncepcionais, tais como o preservativo e a pílula. Aprendemos ainda que nem todos os métodos – como o do calendário – são eficazes. A segunda apresentação foi sobre doenças sexualmente transmissíveis. A Dra. Cristina Azevedo falou-nos das muitas doenças que podemos contrair se não usarmos preservativo, entre as quais o cancro mole, a SIDA ou a hepatite B, e mostrou-nos imagens muito impressionantes – podem acreditar!
No final, fizemos perguntas sobre o que não tínhamos percebido. A professora estava feliz e ao mesmo tempo desapontada, porque, dos vinte e tal alunos que deveriam vir, só compareceram quatro!

O vídeo da Bárbie Maria e do Ken Manuel foi um dos momentos mais engraçados!

Enfim, foi muito divertido e a professora Alessandra ainda nos deu o email!»

Sara Rocha, 11 anos (St. Bede's Catholic Science College)